Concílios Católicos

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O concílio de Niceia

Um concílio ecumênico é uma reunião de todos os bispos (epískopos) cristãos, convocado para discutir e resolver as questões doutrinais ou disciplinares da Igreja Cristã.

Os sete primeiros concílios ecumênicos foram:

Primeiro Concílio de Niceia (325)

Primeiro Concílio de Constantinopla (381)

Primeiro Concílio de Éfeso (431)

Concílio de Calcedônia (451)

Segundo Concílio de Constantinopla (553)

Terceiro Concílio de Constantinopla (680)

Segundo Concílio de Niceia (787)

O Concílio de Niceia foi o primeiro concílio ecumênico realizado pela Igreja Católica, que ocorreu entre 20 de maio e início de julho de 325, na cidade de Niceia da Bitínia, atual Iznik (Turquia), província de Anatólia (Ásia Menor), localizada próxima a Constantinopla.

Foi realizado com o intuito de harmonizar a igreja ao concretizar uma assembleia que representasse toda a cristandade, de modo a discutir as heresias que poderiam dividir a Igreja.

Devido à grande liberdade religiosa na época do fim das perseguições aos cristãos – que aconteceu na época do imperador romano Diocleciano (governou de 284 a 305) – a fé cristã cresceu e se propagou desordenadamente.

A vertente cristã criada pelo presbítero Ário (256-336) – doutrina arianista, em que o Filho não existiu, veio do Pai – João 14,28 e Colossenses 1, 15 –, da igreja de Alexandria, em 318, defendia a tese de que Jesus Cristo Salvador estaria subordinado ao Pai, uma vez que era apenas mais uma criação, o que acabava por questionar a figura de Cristo enquanto divindade.

Essa ideia estava em desacordo com aquela defendida pelo bispo Alexandre de Alexandria (Egito) e seu diácono Atanásio, que afirmaram a divindade de Cristo – João 10, 30, repudiando as teses arianistas

O Imperador Constantino (272-337), ao conclamar o concílio, buscava unir seu Império Romano – a polêmica desunia a sua unidade –, sobretudo depois de sua vitória sobre Licínio (250-325) em 324, um co-imperador do Oriente.

Compareceram cerca de 300 bispos, dirigidos pelo bispo Ósio de Córdoba (257-359), para definir a natureza de Cristo diante do arianismo. Esses clérigos vieram de toda cristandade, incluindo Ásia Menor, Palestina, Egito, Síria, com predomínio de bispos do Oriente.

A data em que se deveria comemorar a Páscoa, outro motivo de discórdia, também foi definida nesse concílio. A Páscoa era celebrada conforme o calendário judaico e tinha outra simbologia. Os bispos tinham o entendimento de que os judeus estavam errados. Foi feito um novo cálculo, sendo escolhido o primeiro domingo depois da primeira lua cheia da primavera para a celebração.

Como resultado do Concílio, foi definido que o arianismo seria rejeitado e que a “Redenção” pregada pelo diácono Atanásio seria a base constituinte do que se convencionou como o “Credo de Niceia”, confirmando a união da cristandade e a divindade de Cristo.

As principais consequências da reunião foram a resolução da questão cristológica da natureza divina de Jesus e sua relação com Deus Pai, a construção da primeira parte do Credo Niceno (uma profissão de fé dos participantes do concílio), a fixação da data da Páscoa e a promulgação da lei canônica.

 

O Concílio de Constantinopla

O Primeiro Concílio de Constantinopla aconteceu em 381, de maio a julho, em Constantinopla, na Igreja de Santa Irene. Foi convocado por Teodósio I (imperador romano de 379 a 395), e nele foi debatida a natureza de Cristo e a doutrina arianista, do presibítero Ário. O concílio aprovou o Credo niceno-constantinopolitano e tratou de outros assuntos teológicos.

Até cerca de 360, debates teológicos tratavam principalmente da divindade de Jesus, a segunda pessoa da Trindade. No Concílio de Niceia não ficou esclarecida a divindade do Espírito Santo. Foram reconfirmadas as decisões de Niceia e foi discutida a heresia dos macedonianos, que negavam a divindade do Espírito Santo. Com isso, ficou implicitamente estabelecido que o Espírito Santo deve ser do mesmo ser que Deus Pai. Essa decisão do concílio sobre o Espírito Santo também deu apoio oficial para o conceito da Trindade.

O Primeiro Concílio de Constantinopla não tinha originalmente a intenção de ser um concílio regional, motivo pelo qual os bispos ocidentais e o Papa Dâmaso I foram ignorados. Somente em 451 o Concílio de Calcedônia considerou o de Constantinopla como ecumênico e foi reconhecido pelo Ocidente somente no  século VI, pelo Papa Hormisda (450-523).

Foram emitidos sete cânones, quatro de caráter doutrinário e três disciplinares.

O primeiro cânone foi uma condenação dogmática do arianismo e também do macedonianismo. O segundo renovou a legislação do Concílio de Niceia,  impondo aos bispos a observância dos limites das dioceses. O terceiro cânone decretou a criação de prerrogativas de honra para Constantinopla. Esse decreto deve-se ao fato de, em 330, a capital do Império Romano ter sido transferida para Constantinopla, tornando a cidade um centro político e eclesiástico de grande importância. O quarto cânone declara a invalidade da consagração de Máximo I de Constantinopla, filósofo e rival  de Gregório de Nazianzo, bispo de Constantinopla. O quinto cânone foi aprovado no ano seguinte, em 382, e refere-se aos bispos ocidentais e ao Papa Dâmaso I (eleito Papa em 1 de outubro de 366). O sexto foi aprovado no Concílio de Trulo e fala sobre os bispos acusados de irregularidades. O sétimo cânone refere-se aos procedimentos para receber certos hereges na igreja.

 

O Concílio de Éfeso

O Primeiro Concílio de Éfeso foi um concílio de bispos convocado pelo imperador romano Teodósio II, realizado em 431, em Éfeso (perto do atual Selçuk, na Turquia). Esse terceiro concílio foi um esforço para alcançar consenso na Igreja e nele estava representanda toda a cristandade. Debateu-se sobre os ensinamentos cristológicos – parte da teologia que estuda e define a natureza de Jesus, a doutrina da pessoa, origens e modo de vida, e sua obra –  e mariológicos – estudos teológicos acerca de Maria, mãe de Jesus, de Nestório, de Constantinopla.

Cerca de 250 bispos estiveram presentes no concílio que foi conduzido em uma atmosfera de confronto aquecido e recriminações. Confirmou o Credo Niceno e condenou o nestorianismo (doutrina cristológica proposta por Nestório, de Constantinopla) como sendo heresia, assim como o arianismo (doutrina de Ario, padre cristão de Alexandria, no Egito, que afirmava ser Cristo a essência intermediária entre a divindade e a humanidade, negava-lhe o caráter divino e ainda desacreditava a Trindade) o sabelianismo (doutrina de Sabélio, que negava o dogma da  Trindade, afirmando haver uma única substância ou pessoa em Deus), e o pré-mileniarismo (quiliasmo – doutrina que afirma que os predestinados ficariam ainda na Terra durante mil anos após o julgamento final, no gozo de todos os prazeres). Tal concílio ocorreu entre os meses de junho e julho de 431 e teve como local-sede a Igreja de Maria em Éfeso, na Anatólia.

 

O Concílio de Calcedônia

No ano de 451, de 8 de outubro a 1 de novembro, bispos orientais, convocados pelo imperador Marciano, abrem o Concílio de Calcedônia, local próximo a Constantinopla. A pauta, como os outros três primeiros concílios, foram as estruturas da cristandade.

Pintura de Vasily Surikov de 1876 retrata o quarto encontro, o Concílio de Calcedônia.

Nesse concílio, foi ratificada a condenação da heresia ariana pronunciada no Concílio de Niceia e ensinada por Eutiques. A heresia fazia de Cristo um intermediário entre os homens e Deus. Também foi reafirmado o dogma da Santíssima Trindade (Jesus é a segunda pessoa da Santíssima Trindade). Assim agindo, condenavam com força as doutrinas opostas pelo patriarca de Constantinopla, Nestorius, e de um monge de Alexandria, sobre a natureza divina e humana de Cristo. O nestorianismo ou doutrina de Nestorius, estabelecia uma estrita distinção entre as naturezas humana e divina de Cristo. O cisma, ou seja, essa doutrina, deu início às igrejas ortodoxas orientais – Igreja Ortodoxa Copta ou Egípcia, Igreja Ortodoxa Síria, Igreja Apostólica Armênia e Igreja Ortodoxa da Etiópia.

O monofisismo, doutrina inspirada pelo monge Eutiques, refutava a definição de que Jesus tinha duas naturezas completas, a humana e a divina. Essa doutrina seduziu os coptas do Egito bem como os cristãos da Armênia e certas comunidades do Oriente Próximo. Até hoje, ela tem curso na Igreja Copta da Etiópia e na Igreja Síria da Índia.

No concílio da Calcedônia, os bispos orientais concluíram seus trabalhos pondo em pé de igualdade o patriarcado de Constantinopla e a sede papal de Roma.

O bispo de Roma, o papa Leão I, não gostou de ver que o patriarca de Constantinopla fosse elevado ao seu nível e se apressou em rejeitar o último cânone das conclusões do concílio: “Voto pela primazia da Sé de Constantinopla”. A ruptura entre o catolicismo e a ortodoxia já rondava o clero cristão.