Novo Testamento

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Os vinte e sete livros do Novo Testamento contam a vida de Jesus e relatam como os cristãos primitivos viviam. São textos escritos muito tempo após os fatos descritos terem ocorrido, não obedecendo a uma ordem cronológica.

Além disso, não foram escritos em pergaminhos, mas em páginas individuais chamadas de códices. Isso distinguia os escritos dos cristãos dos demais.

As diferentes denominações atuais são decorrência de diferentes traduções e interpretações, que nasceram de discordâncias. Por exemplo, em 1539, o rei Henrique VIII publicou uma Bíblia, em inglês, encomendada por ele com a sua imagem, chamada de Bíblia do Rei. Depois de Henrique, muitos reis fizeram o mesmo, ou traduziram a Bíblia para os seus idiomas. Já a Bíblia do rei Jaime é uma tradução inglesa da Bíblia, realizada em benefício da Igreja Anglicana, no início do século XVII.

O terceiro presidente dos Estados Unidos, Thomas Jefferson, produziu uma versão americana da Bíblia, já que discordava das agendas políticas dos cristãos primitivos, separando os textos do Jesus filosófico, que chamou de “pedaços do Evangelho”.

O Livro de Mórmon, usado como escritura pela A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, foi uma reescrita da Bíblia que fundou a religião mormonismo (doutrina protestante, fundada nos Estados Unidos por Joseph Smith – 1805-1844). Joseph entendia que a Bíblia cristã estava incompleta, incluindo nela novas narrativas em uma nova ambientação, a América.

 

Jesus, a principal personagem

Pesquisas históricas recentes mostram que Jesus nasceu provavelmente em 47 a.C., pois Herodes, o Grande, morreu em IV a.C., e Jesus nasceu sob o domínio de Herodes.

As imagens do estábulo, no nascimento de Jesus, não são descritas na Bíblia. Em Mateus há indícios de que Jesus tenha nascido em uma casa tradicional da época.

Segundo os evangelhos de Mateus e de Lucas, Jesus nasceu em Belém, porém historiadores atuais acreditam que ele nasceu em Nazaré, a cidade onde moravam José e Maria, seus pais. O único censo de que se tem conhecimento durante o período em que Jesus nasceu foi o censo de Quirino, no ano 6 a.C., nas províncias de Síria e da Judeia, o que descarta a viagem de Maria e de José para o censo romano em Belém, que não deve ter existido (os censos romanos eram realizados com o propósito de contagem das pessoas para a cobrança de impostos). O fato de Mateus e de Lucas mencionarem o nascimento de Jesus em Belém se deve ao fato de que, nas profecias, na Bíblia Hebraica, o Messias nasceria na cidade de Davi, ou seja, em Belém.

No ano de 1945, um camponês egípcio encontrou, na cidade de Nag Hammadi, um pote de barro com treze códices de papiro embrulhados em couro. Posteriormente chamados de Evangelhos Gnósticos do cristianismo primitivo, esses textos são mais antigos que os textos conhecidos do Novo Testamento. Eles são, por vezes, contraditórios em relação à vida e aos ensinamentos de Jesus.

O Evangelho de Tomé é um dos treze códices dos Evangelhos Gnósticos e se acredita ter sido escrito por Tomé, irmão de Jesus. Ele traz algumas informações sobre a infância de Jesus. Esse livro não foi incluído no cânone, porque os padres da época de sua descoberta consideraram que continha relatos escandalosos.

A Bíblia diz que Jesus teve muitos irmãos, pelo menos quatro homens – Tiago, José, Judas e Simão –, e pelo menos duas irmãs – Salomé e Maria. Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas? E não estão entre nós todas as suas irmãs? De onde lhe veio, pois, tudo isto?” (Mateus, 13, 55-56). Todos eles tiveram um papel importante na obra de Jesus, porém para a igreja tornaram-se inconvenientemente problemáticos e, com o tempo, desapareceram, provavelmente para que não houvesse quaisquer questionamentos sobre a virgindade de Maria, uma das bases da fé cristã (a ideia da virgindade de Maria impôs-se) – E disse Maria ao anjo: Como se fará isto, visto que não conheço homem algum? E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus.” (Lucas 1, 34-35). Maria era casada com José, portanto deviam relacionar-se maritalmente.

O Novo Testamento prefere basear-se nas profecias de Isaías como prova do messianismo de Jesus: Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel.” (Isaías 7, 14).

O Novo Testamento é uma porção muito pequena de textos sobre as tradições que existiam no período em que foram escritos.

João Batista (João, o mergulhador), em 26 começou a batizar às margens do rio Jordão. Historiadores dizem que João, filho de Isabel, era primo de Jesus e abriu caminho para o seu ministério. Com a morte de João Batista, seus discípulos passaram a seguir Jesus.

Quando Jesus faz o seu primeiro milagre, o de transformar água em vinho, ele dá início a sua pregação, dirigindo sua mensagem aos proscritos, pobres, desfavorecidos de uma Galileia rural, agrícola, e não à sociedade de Jerusalém. Mateus 20, de 1 a 16, traz o conceito pregado por Jesus de pagamento igual a todos os que trabalhassem, uma noção radical para a sua época.

Jesus, segundo o Novo Testamento, não tinha trabalho e incentivava que outros largassem o seu trabalho e família e o seguissem. Há uma hipótese de que Maria Madalena e outras mulheres o financiavam, e aos seus discípulos, pois tinham um negócio de pesca: “E algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; E Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, e Suzana, e muitas outras que o serviam com seus bens.” (Lucas 8, 2-3). A imagem de que Maria Madalena foi uma prostituta pecadora foi dada pelo Papa Gregório I, no século V.

Jesus usa um termo ambíguo para se autodefinir, Filho do homem (em aramaico “ber enus”, que é a maneira de dizer “pessoa”): “E disse-lhe: Na verdade, na verdade vos digo que daqui em diante vereis o céu aberto, e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem.” (João 1, 51).

Na época de Jesus havia outros que percorriam e que se autoproclamavam messias: figuras espirituais que garantiam que eliminariam os romanos do seu domínio.

Jesus tinha um conhecimento profundo dos textos hebraicos (Bíblia Hebraica). Sabia o que as profecias anunciavam e que a principal tarefa do messias era a de libertar os judeus da ocupação romana. Foi um profeta apocalíptico. Pregava uma mensagem de renovação, revolução, mudança e realização; nunca pareceu querer desenvolver qualquer atividade política: Então Jesus lhes disse: “Deem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus…” (Marcos 12, 17).

O ato de Jesus chegar em Jerusalém montado em um jumento, na sua última semana de vida, demonstra o seu conhecimento das profecias. Ele faz a profecia de Zacarias se realizar: “Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que o teu rei virá a ti, justo e Salvador, pobre, e montado sobre um jumento, e sobre um jumentinho, filho de jumenta.” (Zacarias 9, 9). Os romanos sentiam-se incomodados com as atitudes de Jesus.

O evento definitivo para a vida de Jesus foi chegar ao templo e criticar: “E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões.” (Mateus 21, 13). É a única descrição de um Jesus violento.

Segundo os historiadores, o julgamento de Jesus descrito nos Evangelhos levanta alguns problemas: o julgamento aconteceu de noite, no dia da páscoa judaica, o que era ilegal. Jesus foi crucificado pelo Estado pelo crime de sedição. Sua ressurreição marca o início do cristianismo.

 

As epístolas Paulinas

A primeira carta, a Primeira Epístola de Paulo aos Tessalonicenses – cristãos da cidade de Tessalônica, na época pertencente à província da Macedônia, no Império Romano – é o primeiro documento histórico do cristianismo a que se teve acesso. Os textos escritos por Paulo (as epístolas paulinas) estão organizados na Bíblia por ordem de tamanho, sem obedecer a qualquer ordem cronológica. O livro do Apocalipse, de João, é o último no Novo Testamento, porém não foi o último livro a ser escrito.

O primeiro livro, escrito entre os anos 50 e 51, cerca de vinte após a morte de Jesus Cristo, foi a epístola paulina, Primeira Epístola de Paulo aos Tessalonicenses. O apóstolo escreveu depois de ter chegado à cidade de Corinto.

Paulo viajava com Silas, quando chegaram pela primeira vez à cidade de Tessalônica. Era a segunda viagem missionária de Paulo (Atos 17, 1-10). Ele pregava na sinagoga e convertia moradores, lançando as fundações de uma das igrejas da época. Eles permaneceram em Tessalônica por um curto período, pois os judeus, incomodados (Atos 15, 5), revoltaram a cidade e iniciaram uma perseguição contra Paulo, acusando-o de traição a César. Os apóstolos fogem para Bereia, mas Paulo foi obrigado a se separar de Silas e, por mar, foi levado para Atenas e depois para Corinto, de onde escreveu a carta. Timóteo foi enviado posteriormente a Tessalônica, para obter notícias da igreja fundada naquela cidade.

O segundo livro escrito foi a Epístola de Paulo aos Filipenses – habitantes de Filipos, província da Macedônia, pertencente ao Império Romano. O nome da cidade foi uma homenagem ao rei Felipe II, que governou a Macedônia em 358 a.C., lugar para onde residiam os veteranos de guerra romanos. A carta foi escrita entre os anos 54 e 56, quando o apóstolo Paulo estava no cativeiro doméstico, em Roma, após ter sido preso em Jerusalém (Filipenses 1, 7 e 12 a 17; Atos 28, 16-17).

O texto foi para um grupo de cristãos afetuosos a Paulo e teve o intuito de agradecer o apoio financeiro da igreja (Filipenses 4, 10-18), levado a ele por um dos seus membros, Epafrodito (Filipenses 4, 18). Paulo expressou gratidão, amor e confiança aos membros da Igreja; descreveu os sacrifícios que ele fez para seguir Jesus Cristo e instruiu os membros de Filipos nos princípios de um viver digno.

A Epístola de Paulo aos Gálatas – cristãos da região da Galácia, na Anatólia, no centro da atual Turquia – foi escrita entre os anos 54 e 57, provavelmente antes da Epístola aos Romanos. O texto foi escrito a um grupo de judeus cristãos que estava voltando a confiar nos rituais da lei de Moisés; ensinavam aos cristãos gentios a doutrina de que deveriam ser circuncidados e voltarem a realizar os rituais prescritos pela lei de Moisés para serem salvos (Gálatas 6, 12 e Atos 15, 1). É provável que Paulo tenha escrito essa epístola enquanto percorria a Macedônia. Não se tem absoluta certeza para quais igrejas essa epístola tenha sido dirigida. Deveria ser às igrejas do norte da Galácia, que ficavam no distrito que tinha Ancira como capital, ou às do distrito que ficavam nas fronteiras da região da Ásia menor, entre a Frígia e a Galácia.

A Epístola de Paulo aos Romanos foi escrita entre os anos de 57 e 58, enquanto Paulo permanecia em Corinto (Romanos, 2 e 3, e 15, 25-26; e Atos, 20). A autoria do livro é atribuída ao apóstolo Paulo e ao longo dos dezesseis capítulos, identifica-se um momento em que é usado um homem chamado Tércio para transcrever suas palavras: “Eu, Tércio, que escrevi esta epístola, vos saúdo no Senhor” (Romanos 16, 22). O livro de Romanos segue o propósito de todas as epístolas de Paulo às igrejas, ou seja, proclamar a glória de Jesus Cristo. Essa carta aos Romanos foi escrita de Corinto um pouco antes de ele viajar para Jerusalém. O objetivo de Paulo era depois ir à Roma, entretanto ele foi preso quando ainda estava em Jerusalém e de lá foi levado à Roma como prisioneiro. Há indicações de que foi uma cristã, membro da igreja em Cencreia, perto de Corinto, chamada Febe, que levou a carta para Roma.

A Epístola de Paulo a Filemon, a mais breve e última epístola de Paulo, foi escrita entre os anos de 61 e 63. Paulo era prisioneiro em Roma quando escreveu ao apóstolo. O livro de Filemon possui apenas um capítulo. Provavelmente ele era um cristão que fazia parte da igreja de Colossos (atual Turquia). Onésimo era escravo de Filemon e havia fugido. Não se sabe como ele chegou a conhecer Paulo, mas se converteu ouvindo as pregações de Paulo. O apóstolo pede a Filemon que o receba de volta Onésimo, não como escravo, mas como irmãos em Cristo.

 

Epístolas Paulinas

 

As epístolas deuteropaulinas

As epístolas deuteropaulinas são os livros que os especialistas entendem não terem sido escritos pelo apóstolo Paulo.

A Segunda Epístola de Paulo aos Tessalonicenses foi escrita entre os anos 51 e 100. O texto apresenta uma doutrina bastante distinta do texto da Primeira Epístola; deve ter sido escrita por algum cristão romano, no final do primeiro século.

Falsos mestres estavam infiltrados na Igreja e começaram a corromper as doutrinas de Cristo. Alguns sacerdotes, pregadores da região de Jerusalém, entraram em Corinto e começaram a ensinar aos membros que eles precisavam adotar as práticas judaicas, ao contrário dos ensinamentos de Paulo. O autor desconhecido do texto agradece aos membros de Corinto por suas contribuições aos pobres de Jerusalém e incentiva-os a continuarem a doar generosamente. Ele escreve sobre sua visão do terceiro céu, convidando aos fiéis a examinarem a si mesmos e provarem sua fidelidade.

A Primeira e a Segunda Cartas aos Coríntios são textos endereçados aos cristãos da igreja de Corínto. O autor da Primeira Carta aos Coríntios, com dezesseis capítulos, responde aos devotos sobre diversos assuntos questionados. A igreja estava dividida em diversos grupos, com diferentes ideias acerca de princípios morais e religiosos; enfrentava dissensões e uma situação de desordem.

Nesse contexto, o autor escreve sua primeira carta com propósito de conscientizar os seguidores sobre a importância da santidade na convivência entre as pessoas, o respeito e busca do Espírito Santo e sobre a restauração da unidade da igreja ao verdadeiro motivo, a sua razão de ser e essência, Jesus Cristo. É, portanto, uma carta de aconselhamento.

Muitos cristãos, na época em que receberam a primeira carta, rebelaram-se, criticando e questionando o autor e sua autoridade para fazer as recomendações que fez à igreja.

A Segunda Carta aos Coríntios foi a defesa da autoridade do autor (atribuída a Paulo, embora provavelmente tenha sido escrita por Sóstenes). Ao longo de treze capítulos, a comunidade é alertada em relação à chegada de falsos apóstolos que estavam colocando em questão a doutrina de Cristo. Apesar de a igreja ter enfrentado uma crise, os devotos foram encorajados a superar as divergências.

A palavra Atos denotava um gênero reconhecido no mundo antigo, que era característico dos livros que descreviam os grandes feitos de pessoas ou de cidades, incluindo biografia, romance e história. Atos deve ser interpretado como Os Atos de Jesus. O texto não corresponde ao seu título, porque não se fala de todos os apóstolos, mas somente de Pedro e de Paulo. O livro pode ser dividido em duas partes: o período das missões locais e o período das missões estrangeiras.

A Epístola de Paulo aos Colossenses (cristãos da Igreja de Colossos) foi escrita entre os anos 61 e 100. Apresenta um estilo literário bem diferente do encontrado nas epístolas paulinas. É repetitiva e apresenta novos vocabulários. O pensamento teológico é bem diferente no que se refere à cristologia e outros conceitos. Os estudiosos acreditam ter sido escrita por um seguidor de Paulo.

A cidade de Colossos ficava na província romana da Ásia, região que hoje faz parte da Turquia. Existe a possibilidade de que Epafras, companheiro de Paulo, tenha sido pioneiro em anunciar o evangelho aos colossenses (Colossenses 1,7). A epístola foi escrita com o objetivo de combater a falsa doutrina que surgia e chamar os colossenses à verdadeira fé que Epafras havia anunciado sobre Jesus Cristo. Nas últimas saudações, o autor pede que suas palavras sejam enviadas às igrejas de Laodiceia, que ficava em local vizinho, para que então conseguissem levar suas afirmações aos colossenses. O envio dessa epístola foi feito por Tíquico, com quem viajou Onésimo.     

A Primeira Epístola de Paulo aos Efésios possui um paralelo em relação ao livro Colossenses. Dos 115 versículos da Epístola aos Efésios, 73 encontram-se em Colossenses, o que indica uma escrita simultânea ou que um livro serviu para desenvolver o outro. Foi escrita entre os anos de 70 a 100.

Efésio é uma carta aos cristãos da cidade de Éfeso (antiga Ásia Menor, Anatólia, atual Turquia). Possivelmente o texto foi escrito como carta circular às igrejas de toda a região da Ásia. Muitos creem que a carta aos Efésios é a mesma carta aos Laodicenses (Colossenses 4, 16), encontrada na Vulgata, tradução para o latim da Bíblia, escrita entre fins do século IV por São Jerônimo, a pedido do Papa Dâmaso I.

 

Epístolas deuteropaulínas


As epístolas pastorais

A Primeira e a Segunda Epístolas a Timóteo, a Epístola a Tito também foram escritas entre os anos de 70 a 100. Existe uma grande diferença de estilo literário entre as três epístolas pastorais e as anteriores. Se as compararmos com as outras, uma entre três palavras gregas encontradas não estão em parte alguma das epístolas paulinas. Uma em cada cinco palavras gregas não estão em nenhuma outra parte do Novo Testamento. Além disso, existem menções sobre heresias próximas do misticismo e ao modo como é definida a hierarquia da igreja (apóstolos, delegados, presbíteros e diáconos).

A primeira carta a Timóteo foi escrita provavelmente em Filipos, na Macedônia, durante o intervalo entre o primeiro e o segundo aprisionamento de Paulo em Roma. O propósito foi o de proporcionar encorajamento e instrução a Timóteo, um líder da igreja de Éfeso, um dos discípulos de João. Éfeso era a capital e o principal centro de negócios da Ásia (parte da atual Turquia), importante centro de transporte marítimo e terrestre.

A Segunda Epístola a Timóteo, ao longo de quatro capítulos, procura mostrar a Timóteo a visão do apóstolo Paulo sobre sua trajetória de vida cristã. Nela é ressaltada a importância de se evitar as crenças e práticas ímpias e de se combater a imoralidade. O autor afirma que haverá perseguição aos cristãos e conclui fazendo um apelo  para que permaneçam firmes na fé e terminem a corrida forte “…prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina.“ (2 Timóteo 3, 16-17).

Tito era um cristão grego que auxiliava no ministério de Paulo. Na carta a ele, o pastor é orientado a como proceder na escolha dos presbíteros, sobre o modo de se tratar, na igreja,  as pessoas de variadas faixas etárias, e sobre o comportamento cristão.

As epístolas pastorais foram assim nominadas por Thomas de Aquino, em 1274, por referirem-se aos cuidados que se deveria ter com todos membros e com a administração da igreja e sobre o com­portamento a ser mantido.

 

Epístolas pastorais


Não se sabe para quem foi enviada a
Epístola aos Hebreus, cujo autor é desconhecido, porém é certo que foi escrita para os cristãos que eram judeus de nascença, entre os anos 65 a 70, no período das perseguições do imperador romano Nero, anterior à destruição do Templo de Jerusalém, construído por Herodes – o Cerco de Jerusalém – (Hebreus, 2, 3-4). Na época, os cristãos estavam sendo perseguidos e havia grande pressão para que abandonassem a fé cristã e voltassem para os cultos dos seus antepassados.

O Apocalipse é uma composição de muitos textos redigidos em períodos diferentes. Alguns deles ainda antes do domínio do imperador Nero (ano 68), e outros nos tempos do domínio do imperador Tito Domiciano (anos 95/96). O livro está repleto de bestas, dragões, insetos, criaturas antropomórficas e monstros. Tem muito simbolismo e figuras difíceis de serem interpretadas. É um dos livros mais conhecidos da Bíblia.

Na Antiguidade, muitos profetizavam em nome de Deus. Durante muito tempo acreditou-se que o apóstolo João, o dos Evangelhos, apóstolo de Jesus, é que tivesse escrito o livro do Apocalipse. Hoje, acredita-se ter sido um outro João (João de Patmos), um dos primeiros cristãos, que citou a ilha de Patmos como um dos locais onde viveu (Apocalipse 1, 9) – Eu, João, que também sou vosso irmão, e companheiro na aflição, e no reino, e paciência de Jesus Cristo, estava na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus, e pelo testemunho de Jesus Cristo.”

João foi apatriado pelos romanos para a ilha de Patmos (é uma pequena ilha grega, situada a 55 quilômetros da costa da Turquia, no Mar Egeu; na época, lugar de banimento do Império Romano), por acreditar em Jesus como o messias – a alegação tinha conotações políticas; os cristãos eram perseguidos pelos governantes romanos.

Os eventos descritos por João, para muitos especialistas, eram específicos. João de Patmos escreveu para pessoas perseguidas na sua época e disse-lhes que não teriam de esperar muito, que Deus interviria em breve, destruiria o Império Romano e que todos seriam exaltados. O objetivo era o de inspirar esperança entre os cristãos, que viam o mundo ruir a sua volta. Estudiosos dizem que o livro do Apocalipse é denso e de difícil compreensão porque não se podia, na época, falar abertamente de atividades políticas, sobre revolta contra Roma. Por isso a linguagem era codificada e metafórica.

A prostituta da Babilônia, que monta uma besta de sete cabeças e bebe uma taça cheia de sangue (Apocalipse 17, 3), parece ser uma menção à Roma, que ficava em sete colinas. O sangue pode ser referência ao sangue dos mártires, vítimas da perseguição romana. Provavelmente é, portanto, uma alegoria sobre os males do Império Romano.

João de Patmos diz algo muito diferente: que a descida de Jesus será em Jerusalém. O que muitos cristãos fizeram foi usar as palavras de Paulo sobre um arrebatamento e associarem a um evento de aflição apocalíptico, fundindo como se fossem uma coisa única: que ao final dos tempos, Jesus virá do céu e haverá um arrebatamento em que as pessoas serão levadas deste mundo. A Bíblia fascina pelas profecias que anuncia.


Epístolas Universais
 

Do grupo dos Evangelhos (Epístolas Universais), o primeiro escrito foi o Evangelho de Marcos (entre os anos de 65 a 73), e, embora seja atribuído a Marcos, não se conhece a autoria. Foi escrito no período das perseguições do imperador Nero até o final da guerra dos judeus contra os romanos (Marcos 8, 34).

Pesquisadores e estudiosos afirmam que os quatro evangelistas não contam o que realmente aconteceu nas histórias narradas no Novo Testamento. Marcos, o primeiro livro, foi escrito mais de seis ou sete décadas após a morte de Jesus; nenhum dos escritores dos Evangelhos conheceu Jesus. Não se sabe quem montou ou agrupou os livros do Novo Testamento como o conhecemos. Ele apareceu aproximadamente 300 anos após a morte de Jesus.

O Evangelho de Marcos tem 16 capítulos e conta a história de Jesus de Nazaré. Narra o ministério de Jesus, desde seu batismo por João Batrista até a sua ascensão. A obra concentra-se particularmente na última semana da vida de Jesus.

O Evangelho de Mateus, escrito entre os anos de 80 e 90, utilizou o livro de Marcos como referência. O texto apresenta a ruptura do cristianismo com o judaísmo rabínico, que estava nascendo (Mateus, 21, 20-24).

No livro consta que, antes de seguir Jesus, o autor trabalhava como cobrador de impostos (Mateus 18, 23-24 e 25, 14-15). Começa com a genealogia de Jesus, discorre desde o início da vida de Jesus e expõe o ministério de Jesus, trazendo suas pregações, como o sermão da montanha, e termina com a paixão, morte e ressurreição. Mateus detalha a missão dos discípulos e menciona algumas parábolas ensinadas, como a do semeador, do joio, do grão de mostrada, do fermento, do tesouro escondido, da rede, e da pérola.

Entre os anos de 80 e 90 foi escrito o Evangelho de Lucas, que também utilizou o texto de Marcos como referência. O autor tinha conhecimento sobre a destruição da cidade de Jerusalém pelos romanos (Lucas, 19, 27 e 43-44).

O autor menciona histórias populares, como a do Filho pródigo e o Bom samaritano,  encontradas somente nesse evangelho. A obra tem uma ênfase especial sobre a oração, a atividade do Espírito Santo, a alegria e o cuidado de Deus para com os pobres e as crianças. Lucas apresenta Jesus como o Filho de Deus, mas volta sua atenção especialmente para a sua humanidade. Lucas relata o início do cristianismo. O livro contém 24 capítulos, 24 parábolas e menciona 21 milagres realizados por Jesus.

Os estudiosos da Bíblia estão em amplo consenso de que o autor do Evangelho de Lucas também escreveu os Atos dos Apóstolos. Muitos acreditam que o Evangelho de Lucas e os Atos dos Apóstolos originalmente constituíam uma obra de dois volumes.

O Evangelho de João foi o mais tardio, escrito entre os anos de 90 e 110. O texto trata da personalidade e da doutrina de Cristo, porém tem pouco conteúdo histórico. Nele se observa a ruptura entre o cristianismo e o judaísmo (João 8, 44).

Apesar do autor do livro de João ser anônimo, a tradição cristã geralmente o atribui a João, o apóstolo, filho de Zebedeu. A maior parte dos seus relatos é inédita em relação aos outros três evangelhos, uma indicação de que o autor já conhecia o conteúdo dos outros três livros de sua autoria ao escrever esse livro.

A maior parte é dedicado a relatar fatos da trajetória de Jesus, sobretudo suas palavras durante seus últimos dias. Ao final dos vinte e um capítulos, o livro termina com afirmações a exaltar a grandeza das ações de Jesus.

 

Epístolas Universais – Os quatro Evangelhos


As epístolas dos bons costumes

No grupo das epístolas dos bons costumes, estão a Primeira Epístola de Pedro, produzida entre os anos de 70 e 85. No entanto, não foi escrita por Pedro. É um texto em que o grego utilizado é bastante desenvolvido e, contraditoriamente, Pedro era analfabeto e sua língua era o aramaico, ou seja, ele não dominava o grego.

O livro fala dos ensinamentos e feitos de Jesus. Existem diversos paralelos de pensamentos e de frases entre esse texto e os discursos no livro de Atos. A carta foi escrita aos crentes estrangeiros dispersos no Ponto (região na costa meridional do mar Negro, que atualmente se situa no nordeste da Turquia), na Galácia (na Anatólia, atual Turquia), Capadócia (região semiárida na área central da Turquia) e Bitínia (região do noroeste da Ásia Menor, na costa do Mar Negro), cinco províncias romanas da Ásia Menor.

A Epístola de Tiago não foi escrita nem por Tiago Justo (irmão de Jesus), nem por Tiago de Alfeu, e data entre os anos de 80 e 90, pouco depois da guerra judaica. O texto apresenta um grande domínio do idioma grego e foi escrito por algum cristão que utilizou o nome de Tiago para conseguir autenticidade. O autor identifica-se somente como “Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo” (Tiago 1, 1). O texto foi escrito para ser lido em várias igrejas e fica evidenciado, pelo conteúdo da carta, que o autor direciona seus conselhos aos cristãos judeus recém-convertidos. É o livro com as mais marcantes características judaicas do Novo Testamento em razão desse aspecto e da ênfase no comportamento piedoso.

A Epístola de Judas indica o distanciamento do cristianismo do período apostólico. Foi escrita entre os anos de 80 e 90 (Judas 17 e 18). O seu conteúdo indica que os destinatários seriam pessoas conhecedoras das tradições judaicas, não havendo referências expressas aos gentios. O propósito é a advertência contra os mestres imorais e as heresias da época, que colocavam em risco a fé dos cristãos. Assim,  a carta fala sobre a troca dos ensinamentos cristãos pelas falsas doutrinas.

A epístola é pequena, tem apenas 25 versículos e um único capítulo. Inicia-se com uma curta introdução de dois versos, fala sobre o perigo da atuação de homens perversos que estavam tentando alterar o propósito da fé cristã, dá exemplos históricos sobre os falsos mestres, destaca o viver em santidade como o objetivo dos convertidos e conclui com a benção apostólica.

As Primeira, Segunda e Terceira Epístolas de João foram escritas pelo mesmo autor do quarto Evangelho, o de João. Possuem uma proximidade doutrinal e literária muito semelhante ao texto do Evangelho de João. Foram escritas entre os anos de 90 e 100.

A Primeira Epístola de João é direcionada aos cristãos que estavam em risco de serem enganados por falsos mestres. O objetivo era estabelecer a verdade sobre questões relevantes, entre elas a identidade de Jesus, e, com isso, responder aos questionamentos dos crentes, fortalecendo a fé de toda a igreja.

A Segunda Epístola é dirigida aos membros de uma igreja. Nela, o autor pede que amem uns aos outros e que tomem cuidado com certas doutrinas falsas que estavam sendo espalhadas.
Já a terceira carta de João é um texto dirigido a Gaio, dirigente de uma igreja. O autor elogia Gaio, condena a oposição de Diótrefes, um líder ditatorial à frente de uma das igrejas na província da Ásia, e elogia o bom testemunho de Demétrio.

A última Epístola escrita foi a Segunda de Pedro, cujo autor também não é Pedro, tendo sido escrita entre os anos de 100 e 150.

O capítulo 1, versos 13 e 14, fazem referência ao momento final da vida de Pedro. Somente no século IV o texto foi aceito no cânon bíblico.

Existem diferenças linguísticas muito acentuadas entre as Primeira e Segunda Epístolas de Pedro; houve um aparente uso da Epístola de Judas no texto (Segundo Pedro 2, 3) e existem prováveis alusões ao gnosticismo do século II, ou seja, há uma insistência do autor sobre o conhecimento cristão em oposição à falsa ciência dos hereges (Segundo Pedro, 1, 2-3;  5, 8-  12;  2, 20-21 e 3, 17-18).

O único autor do Novo Testamento que se conhece é o apóstolo Paulo. As autorias dos livros (epístolas deuteropaulinas), dos Evangelhos e das outras epístolas são desconhecidas.

Os cristãos consideram a Bíblia como palavra infalível de Deus. Entretanto, entendo que a absolutização da Bíblia negligencia o fato de que o livro é uma obra humana, muitas vezes alterado e seletivamente interpretado.

Os Evangelhos (Lucas, Mateus, Marcos e João) narram as curas feitas por Jesus (cegos, mudos, surdos, coxos), a expulsão de espíritos imundos por Jesus e seus apóstolos, os milagres realizados por Jesus e os seus ensinamentos aos discípulos e seguidores.

Os principais fatos do cristianismo estão narrados no Evangelho Segundo Marcos, do capítulo 14, versos 10 a 72, capítulo 15, versos 1 ao 47, e capítulo 16, versos 1 ao 20. Tratam da ceia de Jesus com os doze apóstolos, de Jesus em Getsêmani (jardim situado no sopé do Monte das Oliveiras, em Jerusalém, atual Israel, onde Jesus e seus discípulos oraram na noite anterior à sua crucificação), da sua prisão perante o sinédrio (assembleia judaica de anciãos da classe dominante à qual diversas funções políticas, religiosas, legislativas, jurisdicionais e educacionais foram atribuídas, na Palestina, sob o domínio romano) e a Pôncio Pilatos – seu julgamento perante os judeus e os romanos –, quando foi entregue aos soldados, sua crucificação e morte, e sua ressuscitação e ascensão ao Céu.