Ritos e tradições cristãs

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O rito é um conjunto de costumes, ações, prescrições e peculiaridades litúrgicas, praticado pela Igreja. Etimologicamente, rito é cada ato ou conjunto de atos, realizados segundo normas codificadas. Com referência à religião, os ritos têm a função de tornar perceptível e repetível a experiência religiosa. Num ritual religioso, as várias componentes religiosas, as prescrições e as fórmulas tornam-se reais e normativas para todos os participantes. Geralmente o cristão encontra no rito a garantia da manutenção da identidade religiosa própria e a da comunidade à qual ele pertence.

A origem dos ritos surge a partir das tradições de Alexandrina (a Velha Religião, não havendo referências à cidade de Alexandria), Antioquena (tradições usadas no Patriarcado de Antioqua), Armena (da igreja da Armênia), Caldeia (tradição siríaco oriental, da igreja da Caldeia) e Constantinopolitana (tradição da igreja de Constantinopla).

São ritos da Igreja Católica: 1 – de iniciação ou passagem, o batismo, a crisma, e o casamento; 2 – os litúrgicos, os cultos, a missa, a novena, e as procissões; 3 – os comemorativos ou festivos, o Natal, a Páscoa e Corpus Christi; 4 – os funerários, a unção dos doentes, que são as cerimônias de despedida ou a homenagem a alguém que falece; 5 – cura, que são rituais que objetivam a cura de enfermidades físicas, mentais e espirituais, que são os exorcismos, o benzimento, a unção com óleo, entre outros.

O batismo, do grego baptizein, faz alusão à imersão completa que se fazia nas religiões primitivas. A imersão simboliza a purificação pela água, onde tudo se dissolve, toda a forma se desintegra, toda a história é abolida; nada do que anteriormente existiu, subsiste. Na Bíblia cristã os quatro Evangelhos falam da atividade de João Batista como aquele que batizava. Para o cristianismo é uma conversão (purificação); ao receber tal benção, o batizado inicia a sua fé e sua vida cristã. Na tradição judaica, o batismo é a renovação da fé. Assim, o batismo de Jesus por João Batista, no rio Jordão, não teve o mesmo significado do batismo atual.

Crisma é uma unção que significa “confirmação” do batismo.

A palavra casamento é derivada de casa, enquanto matrimônio tem origem no radical mater (mãe). É uma formalidade ou cerimônia que deve ser realizada para estabelecer uma união conjugal, em que os envolvidos têm como propósito a vida em conjunto. As primeiras formas de casamento eram vistas como ferramentas de manutenção de relacionamentos entre grupos sociais. As sociedades tribais anglo-saxãs, por exemplo, viam no casamento uma forma de estabelecer alianças e conquistar aliados, constituindo relações diplomáticas e laços econômicos. O consentimento só passou a fazer parte da tradição a partir de 1140 com o Decreto de Graciano, uma obra que trata sobre o direito canônico, estabelecendo regras de conduta e normatizando costumes da Igreja Católica. O consentimento, ou a manifestação voluntária em relação à vontade de unir-se em matrimônio, passou a ser, a partir do século XII, condição para que o casamento fosse realizado. A partir de 1836, na Europa, o casamento deixou de ser um ato exclusivamente religioso, passando a ser possível a união civil, e não religiosa, ou, ainda, que pessoas não católicas ou de outras religiões se casassem de acordo com seus próprios preceitos.

A Páscoa, originalmente, é uma comemoração de tradição judaica que relembra a libertação do povo hebreu da escravidão no Egito. Segundo a tradição hebraica, a realização da festa aconteceu por uma ordem enviada por Javé a Moisés, que, em seguida, repassou-a para os hebreus. A Páscoa judaica relembra a passagem do anjo da morte durante a execução da décima praga do Egito. Por essa razão, a Páscoa para os judeus é chamada de Pesach, que significa passagem, em português.

A data comemorada pelos cristãos possui um significado diferente da comemorada pelos judeus, apesar da festa cristã ter uma conexão com a festa judaica. O real significado da Páscoa para os cristãos está relacionado com a crucificação, morte e ressurreição de Cristo. Sem a crença na ressurreição, não haveria sentido na prática da fé cristã. A morte e ressurreição de Cristo são particularmente importantes, pois, para os cristãos, o ato de Cristo oferecer-se em sacrifício salvou a humanidade de seus próprios pecados e deu-lhes a perspectiva de uma nova vida.

A data de comemoração foi definida no Concílio de Niceia, realizado pela Igreja em 325 d.C. Nesse concílio, foi estabelecido que a Páscoa seria uma comemoração com data móvel, sendo definida no primeiro domingo após a lua cheia do equinócio de primavera.

A Sexta-feira Santa evoca a crucificação de Jesus. Os cristãos celebram rituais como procissões, peregrinações e prostração diante da cruz. O jejum da Quaresma é encerrado com alimentos especiais no domingo, quando se comemora a ressurreição.

O Natal é comemorado pelos cristãos como a data de nascimento de Jesus Cristo. No entanto, trata-se de uma homenagem à data de nascimento do deus persa Mitra, que representa a luz e, ao longo do século II, tornou-se uma das divindades mais respeitadas entre os romanos. Essa data começa a ser comemorada a pelo menos sete mil anos antes do nascimento de Jesus. É tão antiga quanto a civilização e tem um motivo bem prático: celebrar o solstício de inverno, a noite mais longa do ano no hemisfério norte, que acontece no final de dezembro. Dessa madrugada em diante, o sol fica cada vez mais tempo no céu, até o auge do verão. Os dias mais longos significavam a certeza de colheitas no ano seguinte. Já os gregos aproveitavam o solstício para cultuar Dionísio, o deus do vinho, enquanto os egípcios relembravam a passagem do deus Osíris para o mundo dos mortos. Ninguém conhecia a data em que Cristo veio ao mundo – o Novo Testamento não diz nada a respeito. os fiéis de Roma queriam arranjar algo para fazer frente às comemorações pelo solstício. em 221. Então, o historiador cristão Sextus Julius Africanus escolheu também comemorar o aniversário de Jesus no dia 25 de dezembro, nascimento de Mitra. A Igreja aceitou a proposta e, a partir do século IV, quando o cristianismo virou a religião oficial do Império.